(n) A invenção de Brasília | modelar o Chão

Palestrante: Maria Manuel Oliveira (Escola de Arquitectura da Universidade do Minho).

Data: 25 de junho, 5af, 16h.
Local: FAU-UnB, sala 6.

É recorrente dizer-se que Brasília foi concebida a partir do zero, afirmação que decorre da reduzida inscrição urbana do vale onde se implantou e da sua descrição como ?uma mesa de bilhar?. Esta aparente tabula rasa determinou a imagem mental desse espaço como uma superfície ?lisa? que não exigiu projeto topográfico específico. Por essas razões, talvez, a literatura disciplinar representa a área do Plano Piloto sistematicamente em planta. É no entanto muito sensível, a quem percorre a cidade, que a sua composição assenta num extraordinário rigor e domínio da modelação do chão que acolhe toda a construção: ruas e edifícios articulam-se com o terreno como que sobre uma pele que não só acolhe como amplifica a sua tridimensionalidade.

A partir da identificação e montagem de vários levantamentos realizados nas décadas de 50 e 60 do século passado, da sua sobreposição à proposta apresentada por Lucio Costa ao concurso de 1957 e, ainda, à cartografia atual da cidade, foram desenhadas seções ao longo do Eixo Monumental que permitem comparar o plano submetido a concurso com aquele que a seguir foi executado para edificação da cidade. A análise desses perfis corrobora a existência de um rigoroso controlo da topografia, só possível através de uma minuciosa modelação do terreno, pese embora o fato de esse projeto não ser (re)conhecido. Nesta perspectiva, argumenta-se que a manipulação do chão terá sido, ela própria, fundamento do desenho urbano da cidade de Brasília.

Sobre a palestrante:
Maria Manuel Oliveira, arquiteta pela Escola Superior de Belas-Artes do Porto (1985), é docente na Escola de Arquitectura da Universidade do Minho desde 1997, onde desenvolve prática arquitectônica no âmbito do seu Centro de Estudos. Membro do LAB2PT, os seus interesses de investigação centram-se, atualmente, na área da Arquitectura Moderna produzida em territórios lusófonos.

Organização: Labeurbe
Coordenação: Danilo Matoso Macedo (Câmara dos Deputados/ Núcleo Docomomo Brasília) e Maria Fernanda Derntl (FAU-UnB).
Colaboração: Ana Luiza Rein

 

slide Palestra Maria  Fernanda